Saudades de uma amizade


Você sente saudade de uma amizade antiga? Eu sinto. Sinto saudade daquela amiga querida, da cumplicidade, da intimidade, da lealdade. Ai então vem o senhor de tudo, o tempo, e muda aquilo que julgamos nunca precisar mudar.
O tempo mudou tantas coisas na minha vida, e a convivência com pessoas queridas foi uma delas. A escassez dele também. Umas das constatações mais chatas da (minha) vida adulta foi perceber que quanto mais 'adultos' ficamos, mais compromissos e obrigações temos, e quanto mais compromissos, menos tempo. Em dias normais, passo a maior parte do meu tempo no trabalho, com obrigações e deveres a cumprir. Ao fim do dia é voltar para casa, fazer o jantar, passar no mercado, as vezes fazer algum exercício, e rapidinho o dia acaba. Nos fins de semana, a correria é imensa para tentar organizar casa, ver a família, cumprir alguns compromissos e quando você se dá conta já é segunda-feira, e tudo começa outra vez. E com essa falta de tempo, a gente começa a organizar e dar prioridades aos assuntos, e no meu caso, tive que reconhecer que cultivar as minhas amizades antigas como eu gostaria, demandava uma boa parte do meu tempo livre que já é bem curtinho, e com a falta de esforço de um lado ou do outro, passou-se semanas, meses e até anos sem eu ver uma pessoa que me é muito querida. Uma não, várias. 
Muitas vezes eu me esforçava para manter o contato, não deixar somente no virtual, mas percebia que a outra pessoa não fazia o mesmo esforço e muitas vezes desmarcava os raros encontros que marcávamos, ou não comparecia naquela festinha de aniversário que a convidei. Foi difícil para mim, mas aprendi que assim como eu fiz uma lista de assuntos prioritários, aquela amiga que eu gosto tanto pode também ter feito a sua, e que eu não estaria necessariamente nela. Doeu perceber isto, mas foi uma grande libertação também. Admitindo isto, pude entender um pouco além e ver que amizades são feitas de ciclos. Algumas podem durar uma vida toda e outras apenas o tempinho daquele curso que você fez e conheceu a pessoa. A distância, os interesses, a fase da vida da pessoa, tudo isto altera e muito a condição para que possamos cultivar o vínculo. Afinal, como pode uma mulher com um bebe recém-nascido por exemplo, continuar a sair todo sábado sozinha com aquela amiga-louca baladeira? Não é compatível, não que não haja mais sintonia mas são realidades opostas e isto é completamente normal, porque tudo, tudo mesmo, um dia muda.
Fiz maravilhosas amizades no colégio e no trabalho, pois eram locais que eu frequentava todo dia, passava horas ali, gerando um convívio com todo tipo de gente e ao mesmo tempo dando a oportunidade de formar também um circulo de amigos, dos quais podem sair os melhores. Mas então, você conclui os estudos, alguém muda de empresa, e aquele convívio diário tão importante para a para desabafos, brincadeiras, gargalhadas e até papos-cabeça se desfaz, e você vê amizades se desfazendo tão fugaz como bolha de sabão. Há quem diga que laços realmente fortes nunca se rompem, mas tenho minhas dúvidas já que sei que o tempo e a distância tem um poder muito grande sobre a força destes laços. Mas sei também que amigos de verdade tem um ao outro, e nesta vida, o que importa mesmo não é o que você tem, mas quem.

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