Compre mamãe, compre! Sobre a maternidade e o consumismo


Este não é um blog sobre maternidade, gestação ou qualquer outro assunto relacionado exclusivamente ao mundo pueril, mas como a maternidade é minha fase atual acabo tendo muitas reflexões acerca do assunto, e me senti na obrigação de compartilhar a indignação crescente que estou sentindo com a descoberta do extremo apelo consumista  voltado para as grávidas, para as mães, e finalmente e terrivelmente, para as crianças.
Que a sociedade anda meio perdida em meio a inversão de valores, exposição da imagem, consumismo, degradação do meio-ambiente, etc, etc isso a gente esta cansado de saber, nada muda. O que muda é nossa percepção quando começa de fato a entrar em um novo mundo (no meu caso, a maternidade) e nota que esta sendo manipulada, influenciada e até coagida em alguns casos, e que para isto, usam como estratégia vencedora e matadora, a nossa inexperiência.
Toda mulher que é mãe pela primeira vez vive uma avalanche de mudanças e tem que se adaptar muito rápido a elas. Precisa se informar, pesquisar, aprender e tomar decisões, e neste processo todo, tem uma grande indústria por trás que te pesquisa, te conhece, e sabe de todas as manobras para te convencer a comprar, comprar, comprar. Como se sem os produtos ou serviços oferecidos por eles você não fosse capaz de criar/cuidar de uma criança, talvez até de pari-la.
Veja bem, não há nada de errado no comprar. Ser gestante, mãe ou pai envolve muitas decisões e inúmeras delas são diretamente ligadas ao ato de comprar (a não ser que o ‘faça você mesmo’ seja uma prática na sua casa, e você seja extremamente versátil produzindo de móveis à roupas, do contrário, terá que comprar mesmo). A chegada de um bebe envolve itens que a gente nunca teve antes de comprar na vida, e justamente por isso, a lista se torna enorme quando colocamos na ponta do lápis tudo o que precisa ser preparado. Mas é ai que entra a minha indignação: a lista é infinita! E pior, usam do apelo emocional, da insegurança e medo que cercam a gravidez e a primeira maternidade para te fazer comprar um treco caríssimo que ampara / protege / salva seu filho. Quem que vai querer arriscar a vida ou conforto do bebe comprando um negócio mais ou menos ou mesmo deixando de comprar um item que o vendedor jura por Deus que é essencial e indispensável? 
Ai muito prudente, você se volta para as amigas e amigos ou para sua mãe/sogra que já tem certa experiência para pegar referencias e dicas, e percebe que cada família age de um jeito quando o assunto é criança. Uns são extremamente cuidadosos, detalhistas, tem indicação de várias coisas, de várias marcas e você sente até que esta em falta pois não tinha pensando em tudo aquilo. Já outros, são mais simplistas,  e você tem a sensação de que aquilo esta errado também, afinal,  não tem como você cuidar de um bebe na base do improviso. E para confundir ainda mais tem gente que afirma que um item foi muito extremamente útil, indispensável, quando outros que compraram a mesma coisa, da mesma marca, dizem ter jogado dinheiro fora ( e a gente fica com um super ponto de interrogação estampado no rosto). ? ? ? 
 Eu, além das duas fontes acima (as lojas especializadas, as amigas experientes) também fui atrás dos especialistas médicos, e adivinha? Cada um tem também sua opinião sobre o que é ou não indispensável e dependendo do profissional você sai do consultório uma paranoica consumista ou uma naturalista convicta. É difícil achar o meio termo. Difícil mesmo, até porque muitas vezes você não sabe nem por onde começar.
Mas ao longo dos meses sabe o que eu descobri com tudo isto? Descobri que quem determina o bom-senso, o meio termo em relação a tudo isto, é você (e aqui eu incluo o casal, pai e mãe ou quem faça estes papéis). 
A tarefa de fazer o filtro, encontrar o bom-senso, tomar decisões que façam sentido para você, que te deixe confortável em comprar/não comprar determinada coisa, e que esteja dentro das suas possibilidades (financeiras, de espaço ou qualquer outra variável) é exclusivamente nossa mesmo a gente não tendo qualquer experiência no assunto. Mas mesmo sem experiência, se a decisão fizer sentido para você, não importará muito a opinião alheia.
Eu escutei uma amiga-mãe afirmar para mim que ela fez tudo o que podia e não podia durante a gestação e nascimento da primeira criança dela porque foi uma luta de mais de 7 anos para conseguir engravidar, e ela teve uma gestação muito difícil então ela não queria se privar de absolutamente nada: fez e comprou tudo o que tinha vontade (o quarto dos sonhos, enxoval personalizado, chá revelação, chá de bebe, ensaios de gestante, fotos do parto, newborn...enfim, tudo!). Confesso que julguei e achei aquilo tudo muito excessivo, um deslumbramento, mas mesmo ficando incomodada com o excesso, aquilo me mostrou que ser ou agir daquela forma não era o caminho que eu queria seguir, e liguei o filtro. De alguma forma me ajudou a perceber que não é nem de longe o tipo de preparação que eu gostaria para a chegada do meu bebê.
Finalizando, estou cada vez mais impressionada com a cara de pau dos representantes da indústria de leite, de fraldas, de pomadas, de roupas e calçados infantis, de brinquedos, e até de médicos, doulas e outros profissionais que cobram caro para você ter um parto 'diferenciado', todos tentando te convencer de que é preciso comprar certas coisas/serviços para você desempenhar seu papel de mãe. Isto é um absurdo! 
Mas decidi me informar o suficiente (porque opinião demais pode te deixar mais confusa e não mais informada) e me manter firme na decisão de não me deixar levar pela insegurança, pelo medo, pelo luxo ou puro consumismo. 
Também decidi que o que eu quiser genuinamente fazer e for totalmente dispensável, eu vou fazer, mas consciente do preço, da não prioridade, e sem inventar para mim mesma um monte de desculpas para justificar aquilo como muita gente faz. Mesmo sendo supérfluo, vou aceitar que as vezes é gostoso você sair um pouco da regra e se deixar encantar por um brinquedinho, uma roupinha (e eu fico tranquila porque sei que para mim isto será uma exceção e não a regra).

Me sinto perdida as vezes, é difícil, mas acho que começar reconhecendo que milhões de mães e pais (e bebes) nascem todos os dias e passam pelas  mesmas experiências (e sobrevivem!), me faz acreditar que o instinto e, o amor, resolverão tudo.

Pesquisando sobre o assunto encontrei textos interessantes na blogosfera, como Da maternidade e seus acessórios, do blog Uma vez mamífera, Enxoval do bebê: o que as listas prontas não contam, do blog Ninguém cresce sozinho e Lista de enxoval: útil ou fútil, do blog Mamães a bordo.

A foto do post é do templo dos enxovais, a loja MacroBaby em Orlando, Florida, onde estive uma vez (dois anos atrás, ainda não estava grávida) mas como sabia que teríamos este planejamento em médio prazo, aproveitei que estava lá para comprar alguns itens para amigas e compramos algumas coisas que a vendedora brasileira jurava de pé junto que eu devia aproveitar. Inclusive um protetor de seio para mamilo invertido, só que detalhe: eu NÃO tenho mamilo invertido, mas na hora não entendi a pergunta e não queria mostrar o seio para ela identificar...rs então na dúvida comprei...tá aqui em casa pegando poeira...rs).

Um comentário:

  1. Vanessa, você está no caminho certo, bom-senso é muito importante nessa hora. Infelizmente é assim mesmo, a gente sabe da lista enorme de itens que precisamos ter e algumas famílias usam tudo, outras não, mas é meio "regra" ter essas coisas em casa mesmo assim, rs, é mesmo complicado. Mas é só seguir a sua intuição e dá sim pra saber o que é realmente importante ou é só exagero mesmo, e você não me parece uma pessoa exagerada amiga :D
    Bjs

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