Se não faz bem, deixa ir

Esta semana fiquei um pouco irritada. A pessoa que estava limpando a minha casa avisou que não viria mais, que eu devia arrumar outra pessoa, e ponto. Pensei, pensei e por fim, deixei ir. O que não te faz bem, precisa estar longe de você.
Passaram-se alguns anos depois que me casei para finalmente me dar o luxo de ter uma pessoa para limpar minha casa. Digo luxo porque cresci numa casa onde sempre limpávamos e cuidávamos de absolutamente tudo, era parte da obrigação dos filhos ajudar e até ficar crescidinha eu nem sabia que era possível você contratar uma diarista ou faxineira esporadicamente, achava que empregada doméstica era como nas novelas, com uniforme, servindo a todos na casa o tempo todo, aquela que dormia no emprego, então, depois de um tempo quando a rotina do casamento foi estabelecida e conversando com amigos vi que era possível eu ter este serviço na minha casa, que iria me aliviar e ajudar muito, e então, precisei partir para a parte mais difícil: encontrar alguém confiável e eficiente. 
Algumas tentativas e consegui encontrar uma pessoa que trabalhou alguns anos aqui em casa, mas no ano retrasado ela pediu para sair porque segundo ela havia encontrado um outro trabalho e me vi desesperada para conseguir outra. Não demorou muito e uma conhecida veio me atender, e para minha surpresa ela trabalhava bem melhor do que a outra que havia partido, bem, pelo menos no começo. Tivemos anos também de parceria até que ela começou a não fazer seu serviço, a faltar (e olha que para quem vem somente a cada quinze dias faltar significa dar as caras 1x ao mês!) e percebi que não fazia mais sentido, mesmo gostando e confiando nela, mesmo sendo o mais cômodo, manter uma pessoa que visivelmente não estava a fim de continuar. Ela não veio mais desde Agosto, e estou na fase das tentativas, procurando quem possa me ajudar num dos serviços que mais dou valor, porque sei exatamente o quão exaustivo é limpar e cuidar de uma casa. 
Por isto mesmo, procuro ser justa, ser educada, ser prestativa e tudo mais, mas a última mulher, que esteve por apenas quatro vezes e sem muita explicação disse não vir mais me tirou um pouco do sério. Sempre com quatro pedras na mão, eu não conseguia me comunicar com ela, não conseguia me fazer entender, sei lá, acho que o ''santo não bateu'' mesmo, como dizem por ai. Mas ela limpava tão bem e foi indicação de uma amiga, tinha disponibilidade justo no dia que eu queria (sexta para casa ficar limpinha no fim de semana) que eu fui segurando as pontas para mante-la comigo, mas sei lá por qual real motivo, ela não vem mais. Até pensei em questionar, perguntar se algo a incomodou, porque afinal, sei que eu preciso mais dela do que ela de mim, mas na hora em que li a mensagem enviada me mandando procurar outra pessoa, pensei na filosofia do deixar ir...
É só um exemplo doméstico, eu sei, mas a gente devia aplicar mais em nossas vidas. É difícil, vou ter mais trabalho (já estou tendo) mas com certeza muito melhor do que conviver com quem não nos faz bem, que causa tensão, apreensão, nervoso.
Lá vou eu começar tudo de novo, sair à procura de alguma profissional, combinar uma data, acompanhar e explicar todo o serviço, combinar tarefas, o pagamento, testar, para depois torcer para que tudo dê certo e ela permaneça por um bom tempo. Dá um trabalhão, estou exausta porque fui faxinar a casa hoje e me senti acabada no calor e no peso da barriga que já não me dá a mobilidade de antes, mas fiz o que deu para fazer e ainda assim, senti uma sensação boa de ver a casa limpa, a roupa lavada, bolo no forno, sem precisar ter aqui, quem não queria ficar.

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