Meu autodesafio: 1 ano inteiro sem comprar roupa!


Um ano novo começou. 365 oportunidades para realizar pequenos ou grandes planos. E tem tanta coisa que eu queria realizar, mudar, conquistar.
Ser mais saudável, mais magra, mais disciplinada, mais produtiva, casa nova, zero dívidas, mais tempo, viajar mais, comprar menos, escolher melhor...a lista é longa e o devaneio também. Quem é que consegue perseguir tantas coisas ao mesmo tempo?
A gente pode começar com o que esta ao nosso alcance, e foi assim que decidi colocar em prática um autodesafio: passar o ano de 2015 inteiro sem comprar uma peça nova de roupa ou sapato ou qualquer acessório. Por quê? Porque eu preciso, quero e posso fazer algo para mudar a minha relação com o consumo.
Não na intenção de contar uma história triste, muito menos justificar ações de consumismo, mas na infância e adolescência eu não sabia o que era ter muitas roupas. Era o uniforme do colégio e mais algumas pecinhas que dividia com minha irmã e só. Comprar roupa nova era 1 vez por ano e somente as peças essenciais, não tinha essa coisa de usar o que estava na moda, ou comprar mais do que uma peça do mesmo tipo. Eu nem sei direito como que a gente cresceu assim, mas realmente tínhamos pouca coisa e eu só vim a notar isto na adolescência, quando surgiram as festinhas, aniversários da turma e eu tinha motivos para usar e querer uma roupa nova. Passei algum tempo sem ter como resolver a situação até aos 15 anos, quando comecei a trabalhar e ganhar um dinheirinho. A partir do primeiro salário planejava e escolhia metodicamente o que e quando eu iria comprar uma roupa ou sapato novo.
Assim passei a me organizar e comprar as coisinhas aos poucos, o que eu realmente precisava e não muito, contando centavos, mas a situação já estava melhorando....Ao longo dos anos fui trabalhando, estudando, a vida financeira evoluindo até que chegou um ponto em que eu estava formada, empregada, sem nenhuma dívida e com um cartão a disposição para comprar o que eu quisesse. Foi uma grande satisfação o dia que eu percebi que podia comprar diferentes roupas, sapatos e tudo o mais que eu queria por minha conta. Comprar algo era como o resultado, a recompensa por tanto esforço, fruto do meu trabalho. É legal sabe? A sensação de independência financeira, de conquista, de superação. Foi e ainda é muito bom.
Como nunca fui muito fashionista a fase do poder comprar não me tirou muito do eixo, mas ainda assim, eu percebia um crescente gasto com roupas e sapatos, ano após ano.
O ápice da coisa foi em 2013 quando finalmente tivemos a oportunidade de viajar para a meca do consumo: os Estados Unidos!
Eu nem preciso detalhar as loucuras e extravagâncias de consumo que nós brasileiros, aprontamos nos EUA. É tanta, mas tanta coisa disponível a preços nunca vistos no Brasil que você literalmente se transforma: meu marido, que nunca comprava uma meia no Brasil voltou carregado de tudo quanto é coisa, de roupas a eletrônicos. Além do preço muito atrativo e das marcas famosas, tínhamos planejado bem a viagem e levamos dinheiro para esta finalidade: renovar o guarda-roupa. E chegando em casa, desfazendo a mala, me deparei com meu guarda-roupa cheio de roupas e sapatos 'antigos', que logo eu resolvi organizar para dar espaço a todas as coisas lindas e novas made in USA.
Foi ótima esta fase porque me livrei de muita coisa que não usava há anos, e abri espaço para um guarda-roupa mais moderno, compatível com meu corpo (obviamente muita roupa dos dezoito anos não me cabiam mais e ainda assim eu guardava tudo, apego emocional sabe?).
Em 2014 tivemos a oportunidade de repetir a viagem (Sim! a gente gostou tanto que decidimos repetir a dose, com mais experiência e novos roteiros) e já fui mais consciente do que eu precisava, do que gostaria de trazer, mas mesmo com consciência, a alta do dólar e certeza de que não poderíamos fazer uma nova viagem internacional tão cedo, compramos e compramos muito.  Tudo o que você imaginar a gente trouxe um pouco, de eletrônicos à coisas para casa, e lógico, roupas, muitas roupas,
Com isto, minha quantidade de roupas triplicou, e o espaço para guarda-las, não. Me vi numa situação de ter roupas sem usar somente pelo fato de não lembrar que ela existe. Se  você não vê, não usa. Isso vale para tudo: as roupas, sapatos, maquiagens, acessórios. Sem falar no acumulo e aperto que o guarda-roupa fica, sem condições de utilidade no dia-a-dia.
Com isto, precisei fazer (de novo) a 'limpa' em minhas coisas, separando o que realmente uso diariamente, das peças com menor uso, e as que definitivamente deveriam sair da minha vida.  
Foi percebendo que tenho roupas ainda com etiquetas nelas que decidi: não preciso de mais roupas. Não tenho tudo, mas tenho muito e o suficiente para atender minhas demandas de trabalho, eventos, lazer, esporte e tudo o mais que um dress code exija para todas as ocasiões. 
Pensando mais um pouco consegui reunir uma série de bons motivos para reforçar minha decisão: passo a ter um consumo mais consciente, sustentável pois passo a reaproveitar tudo o que tenho disponível, e não mais comprar e descartar coisas, e ainda economizar um bom dinheiro para o projeto da casa nova, que é um desafio e tanto pela frente. 
É um grande e longo desafio, mas acho que só tenho a ganhar. Porque sim eu posso. Eu quero. Eu preciso. Eu me autodesafio!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

obrigada por deixar um comentário. É sempre bom ter interação por aqui ♥

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...