Um coração valente


Você já não é mais uma menina de 20 anos...Sempre me lembro desta frase que foi dita sem qualquer intenção de machucar, magoar, mas o fato é que marcou. Por que o tempo faz isto com a gente? Por que mulheres correm contra o relógio biológico e são pressionadas por todos os lados a terem um namorado, depois noivar, casar e em seguida (o tão logo possível) terem um filho, alias, um não basta, precisa ter dois para satisfazer o anseio social da família perfeita...e tudo isto ainda sendo bem sucedida na carreira, magra e linda! Um grande foda-se pra tudo isto...De verdade. Raramente uso palavrões no meu dia a dia, e nunca usei em meus textos, mas o fato é que nunca me senti tão pressionada e angustiada como tenho me sentindo nos últimos meses.
Já conversei com diversas pessoas, com amigas casadas, amigas-mães, amigas terapeutas até com gente não muito íntima sobre este delicado assunto, mas de fato, essa conversa toda só tem feito as coisas ficarem mais confusas. Geralmente, quando estou sozinha, em silêncio, é que encontro respostas. E a resposta que (acho que) obtive de todo este processo que tenho vivido é que na verdade eu tenho um grande e enorme medo de ter um filho, de ser mãe. Os motivos eu tenho aos montes para tentar justificar, me justificar para os outros, mas de fato, eu sei que este medo é também um grande egoísmo meu de não querer que nada mude nesta minha-vidinha-quase-perfeita. Estou numa fase maravilhosa com meu marido, curtindo nossa casa, nossas coisas, planejando viagens aqui e acolá, recebendo amigos, dormindo até tarde, indo deitar quando dá vontade...sem regras, sem dar satisfações, sem dever nada pra ninguém...E tudo estava tão bom assim a não ser pelo monstrinho da angústia que vez ou outra resolve me atormentar. E ele aparece em qualquer lugar, em geral, mas interações sociais como toda vez que participo de churrascos, festas, barzinho (e até reunião de negócios), quando há a oportunidade ideal de bater papo, começar um assunto e então vem as fatídicas perguntas como: e ai? Quando vai encomendar o filho? Olha, não pode esperar muito que passa do tempo viu? Nossa! Mas já faz tempo que você se casou...Melhor não esperar muito hein?...
Gente do céu! Se soubessem quanta cara de paisagem eu já fiz para responder educadamente a estes tipos de comentários...quando recém-casada eu tinha a resposta na ponta da língua, mas agora com os anos passando, é inevitável as pessoas perguntarem, e eu sei que isto nada mais é do que a uma maldita convenção social que as pessoas tendem a seguir, uma cobrança sem fim do povo que não percebe o quanto isto é desagradável, então tento ser a pessoa mais paciente e educada possível para interagir e responder gentilmente...mas voltando ao assunto principal, o fato é que eu tenho medo. E na maioria das vezes quando vou conversar sobre o assunto, eu choro. Choro porque sinto que não tenho vocação, nem vontade espontânea de ser mãe, e sabe de uma coisa: isto é visto como algo muito feio para as outras pessoas, qualquer pessoa sabia? Pode testar. Você escuta uma pessoa dizendo que não quer ter filhos e já pensa que ela não deve ser boa pessoa, ou então tem problemas de não poder engravidar e esta tentando disfarçar a situação. Não, eu não sou uma pessoa ruim, amarga ou recalcada com alguma coisa, eu simplesmente não sou como a maioria das mulheres que sonham, e muitas que fazem questão de enfatizar, o quanto querem, desejam e sonham em ser mãe. Devem ser a maioria, porque com todas que eu converso, a impressão que tenho é que querem isto desde criança. Um desejo maternal enorme que não veem a hora de realizar. Nada de dúvidas, nenhum medo, somente a certeza absoluta. Sério, se eu tivesse 10% da empolgação e vontade destas pessoas, eu já teria me decidido faz tempo....as vezes quando converso com pessoas assim, com este instinto maternal latente, ou leio blogs e sites de mulheres perdidamente apaixonadas pela ideia, eu sinto uma dorzinha no coração por ser diferente, por não me encaixar...queria tanto querer também, queria tanto sentir no meu coração este desejo, essa vontade. Porque ai sim, eu me esforçaria para ser a melhor mãe do mundo, e faria de tudo para que o filho que Deus me enviasse fosse muito amado, ansiosamente esperado, respeitado, e que ele pudesse aprender comigo tudo aquilo de bom que eu fosse capaz de ensinar. Queria mesmo sentir...e de todos os meus medos, o acho que o maior é este...de ficar no vazio, de não sentir nada, de não conseguir optar por sentir o que as pessoas descrevem como o maior amor do mundo. 
Meu marido diz que eu penso de mais, que eu deveria relaxar, deixar as coisas acontecerem, mas não quero, na verdade me recuso a ter um filho por ter, para atender a vontade de outros, agradar familiares e muito menos porque meu tempo fértil esta passando (isto que tenho 28 anos e já ouvi de um médico que já passei da hora há tempos...). Filho é coisa séria, é responsabilidade, doação, e eu sei...sei de tudo isto, é por isto que me angustio tanto, que sofro tanto e por tantas vezes...eu queria realmente sentir no coração a coisa toda, e não fazer como muitos que seguem o protocolo da família feliz, custe o que custar...Tá, mas o enquanto isto o que eu faço para mudar esta situação? Eu leio, pesquiso, eu rezo, peço sabedoria, converso com o marido, com amigos, observo, admiro...e um dia, espero que consiga ter um coração valente, sem medos ou dúvidas, só com a certeza e coragem...tomara!

cartaz eu achei no Facebook da Revista Vida Simples

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