Lição para toda vida


O coração estava apertado, a agonia tomando conta há meses e eu precisava urgentemente conversar. 
Mas tem coisas que a gente não deve tratar por telefone, por email (muito menos via Facebook), aprendi isto ao longo do tempo, e então eu resolvi esperar...esperar o dia certo, o momento adequado, as palavras podiam esperar. E muito tempo depois a oportunidade surgiu: foi num domingo de inverno, durante uma caminhada em um parque afastado, com uma conversa bem aflita que a relevação aconteceu. O que eu precisava saber, o que vinha me consumindo, angustiando há tempos se tornou real, e naquela fração de segundo percebi que na verdade, a vida tem identidade e vontade próprias, tomando rumos diferentes daqueles que tínhamos planejado e traçado com tanto empenho e rigor, e você nada tem a fazer a não ser contemplar a mudança acontecer ali, naquele momento, na sua frente. 
Quando me pego em situações assim sempre tento me agarrar ao preceito de que há diversas formas de lidar com as mudanças da vida, e o que irá te conduzir ao caminho da ignorância ou da sabedoria será a forma como você irá lidar com tudo isto. Quem dera se tudo fosse tão prático assim como escrever as palavras acima...de fato não é.
Mas junto com o choque vem o tempo, que abranda, que pondera e depois disto tudo descobri que quando você é diferente, quando faz o que normalmente a sociedade não espera, você enfrenta padrões há muito tempo definidos, e enfrentar estes padrões exige energia. Por isto muita gente não se arrisca, não revela, não vive. “Toda e qualquer manifestação social desviante é punida pela sociedade, e a punição implica tristeza. Mas a tristeza é enfrentada com a alegria de viver do modo como você decidiu. É o preço que se paga por essa escolha”, diz o professor de ética da Universidade de São Paulo (USP) Clóvis de Barros Filho em uma matéria que li publicada no site da Revista Sorria e que tive a felicidade de me lembrar para registrar aqui, para nunca mais esquecer.
Aliás, este post é para eu nunca mais esquecer de como me senti quando fui até aquele parque para confirmar o que no fundo eu já sabia, e que mudaria meu modo de ver as coisas para sempre...quem sabe o que de novo a vida pode nos trazer?

imagem do projeto 365 sorrisos da Revista Sorria

2 comentários:

  1. Eu não sei qual é o seu problema, oque te angustia, mais sei que ainda que nosso problema tenha nome diferente o sentimento é igual. Estou vivendo o momento mais difícil da minha vida, aquele que diferencia a menina da mulher, tenho consciência, mais ainda não consegui quebrar a armadura de padrões e pensamentos que foram a vida toda cultivados em mim, oque me segura , me detêm, me impede de ser a mulher que eu sei que sou, me impede de ser Eu. Talvez por ainda não ter essa energia, ou talvez por não acreditar em mim, não sei ... Só sei que essa jornada não é exclusividade sua, é nossa, é de muitos. Mas é fundamental.
    Fernanda Costa. 23 anos Brasilia DF

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    1. oi Fernanda, sou a Vanessa que escrevo neste blog...achei seu comentário aqui e quero agradecer por comentar, e espero mesmo que aquele momento difícil tenha passado e que você tenha conseguido se encontrar. Boa sorte!

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