Perfume


Alguém já te reconheceu pelo seu cheiro? Como quando saber que você esta chegando (ou que passou por ali) só pela fragrância que ficou no ar? Eu conheço pessoas assim e acho particularmente estiloso alguém ser capaz de deixar uma marca desta maneira. Mas em uma noite, numa conversa sobre perfumes preferidos, uma colega se gabava por usar um único perfume durante anos da sua vida...e disse ainda que quem não tem uma fragrância definida é porque na verdade não tem personalidade, não é original...
Putz! Pensei...E quem não consegue suportar cheiro de perfume logo pela manhã na pele? Quem não encontrou seu perfume preferido entre milhares de opções, e ainda quem não tem dinheiro para comprar um artigo supérfluo assim? É todo mundo sem personalidade, sem característica própria? Sei lá porque o fatídico comentário me incomodou tanto (talvez porque eu já saber que isto era grande besteira) já que obviamente não é um o fato de usar um único perfume de determinada marca a vida toda que o definirá quem você é, mas aquilo de alguma forma em marcou, e sempre lembro deste comentário quando ouço alguém comentando sobre perfumes.
E hoje, organizando algumas coisas aqui em casa descobri que não tenho mesmo a menor finesse para usar perfumes...os frascos estão todos lá, quase cheios, no fundinho do armário, esperando alguma ocasião em que eu me lembre de usá-los...entretanto, fiz uma coisa que raramente faço: comprei um novo perfume chamado Flower by Kenzo...nunca tinha ouvido falar mas parece ser uma marca conhecida o tal Kenzo...como quem não quer nada resolvi testar alguns e logo gostei desta fragrância, então resolvi arriscar e compra-lo para tentar, quem sabe, ter um cheirinho para chamar de meu.
Corta. Volto no tempo, para a casa lá em São Paulo onde morávamos quando eu era criança e costumava ficar no colo da minha mãe quando ela tinha um tempinho. Volto minha atenção para a minha memória olfativa, que registrou um cheirinho único na Terra, que talvez só eu seja capaz de perceber como eu percebo: o cheirinho da minha mãe.
Ela não usa perfume, hidratantes, nem óleos, nada especial...mas quando eu a abraço ou ficava aconchegada nos braços dela, meu olfato tratou de produzir uma memória muito forte, que perfume nenhum no mundo seria capaz de reproduzir, o cheiro de mãe, da minha mãe. Uma amiga minha disse que a coisa funciona assim mesmo: depois de fazer várias tarefas em casa, ela se sentou no sofá para descansar um pouquinho, então veio a filhinha pequena e lhe disse que queria ficar ali pertinho..."Mas filha! Acabei de arrumar a casa, eu estou fedida".  "Não esta não mamãe...você tem um cheirinho gostoso...deixa eu ficar..." Ahhhh...quando ela me disse isto, me dei conta que era exatamente assim com a minha mãe...assim como outra amiga me confidenciou que adorava dar um 'cheiro' na sua filha quando ela estava em seu colo, logo antes de dormir...um prazer único, uma sensação que ela mesma não pôde me explicar "Só cheirando mesmo pra saber Van..." ela brincou. E esta memória afetiva produzida pelo olfato tem tanto valor que me fez pensar que se um perfume (até mesmo os fabricados) for capaz de gerar momentos assim, então, toda essa história de perfume único, de identidade e personalidade tem razão de existir...

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