Das coisas de que você não precisa


Começo o dia com faxina. Caixas, cadeiras, tapetes, armários, cd's, livros...tudo espalhado pela casa numa bagunça empoeirada. Esta foi a semana da organização aqui em casa, que é pequena, com pouco espaço para guardar tudo o que temos, e sem organização, a coisa toda fica impossível. E em casas pequenas, você precisa aproveitar cada cantinho para viver melhor, para tudo fluir.
Investi tempo, energia e algum dinheiro (comprando cestos e caixas organizadoras) para finalmente tentar dar um jeito naquela bagunça com status de “um dia eu vejo o que faço com isso” mas ainda assim não foi suficiente para dar um jeito da forma que eu gostaria... Foram alguns dias de arrumação, de tirar poeira, separar caixas, decidir sobre o que poderia ser doado, descartado, aproveitado, enfim aquela coisa toda de fazer o que temos que fazer, mas é só nesta hora que a gente se dá conta que tem muita coisa acumulada, coisas de que não precisa, e isto me incomodou bastante.
Na adolescência, eu não tinha como ficar comprando roupas, sapatos ou maquiagens o tempo todo ou para cada evento especial como hoje posso me dar o luxo de fazer (Amém!), mas antes, o que eu tinha de espaço me faltava de grana, e nos dias de hoje, o que consegui comprar ao longo dos anos não cabe no espaço que tenho. Espaço que eu tenho que dividir com toalhas, jogos de cama, travesseiros, edredons (fofos e enormes!) e tudo o mais que uma casa precisa (sem falar nas coisas do marido, que também guarda muita coisa eletrônica que nem vou detalhar aqui...).
Mas para ser sincera, o meu maior incomodo são os sapatos. Não sou nenhuma viciada em comprá-los e também não são meus itens favoritos, mas o caso é que tenho mais pares que minha sapateira consegue acomodar (no caso, oito  pares no máximo). E o resto? Ficam todos guardados dentro de saquinhos apropriados para não pegar poeira, só que então, eu não os vejo, e sem ver, eu não os uso, e então, para que te-los? Fiz ‘flashback’ mental e percebi que há pares de sapatos que eu não usei uma vez sequer em 2012, então quais chances de usa-los neste ano? Acho que os sapatos me incomodam tanto porque é a prova mais evidente (e visível para mim) de que sou consumista.
Estímulos da propaganda, do ambiente social, da atual cultura do ‘eu mereço’, da necessidade de estar bem vestida na empresa, em eventos, ao procurar um emprego...ufa! As razões são muitas, e nem preciso listar tudo aqui numa tentativa inútil de justificar o porque compro, acumulo. O fato é que estamos rodeados de coisas de que não precisamos, e o perigo (e mais difícil) é não saber identificar que coisas são essas que podemos ou não ter dentro das nossas possibilidades. Quanto mais espaço, certamente, mais coisas eu teria, então, falta de espaço não é o problema, o problema esta em comprar mais do que precisamos para viver dignamente e com uma boa dose de conforto.
Na verdade, o que precisamos mesmo é de amor (ok, de lençóis limpos, sofá, toalhas, roupas e sapatos também), mas é importante a gente segurar a onda e não se deixar levar por impulsos e transformar nossa casa num verdadeiro brechó particular cheio de coisas de que você não precisa, mas que mesmo assim não consegue se livrar.
Estou longe de resolver o problema (tanto da organização da bagunça aqui em casa, quanto da questão de comprar ou acumular coisas) mas valeu a pena só por parar, pensar e tentar dar um jeito para que tudo fique melhor.

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